A memória e o Brasileiro

Já escrevi neste blog um post sobre o brasileiro e a memória, comparando a nossa memória - ou a necessidade de que tenhamos uma - com a peixinha Dory do filme "Procurando Nemo". Realmente necessitamos de uma memória convenientemente curta, para esquecer todas as promessas que nos são feitas e logo esquecidas.
Infelizmente eu sou daqueles cuja memória não se adapta a essa necessidade de ser do brasileiro: tenho uma daquelas memórias de elefante. Eu, como afirma o ditado, nunca esqueço. Já dizia meu filho quando era pequeno: "Prometeu tá promessado!"
Eu sigo à risca esse dito extraído da pureza de uma criança: "Prometeu tá promessado!" Depois não adianta vir para cima de mim com lero-leros, quero-queros que eu nunca espero. Se há uma coisa em que os nossos governantes são pródigos é em promessas.
Lula, por exemplo, antes de assumir a presidência prometeu mundos e fundos. Depois veio com aquele papo furado de que tudo eram "bravatas". Bravatas para quem, cara pálida? Prometeu e não cumpriu, por mim pode ir para p… que o pariu! Não coloco o meu nariz de palhaço mansamente, resisto, embora saiba que estou vestindo um belo e grande vermelho! Putz!
Pois a negra e dura realidade é que ela não é tão dura, nem tão escura como a pintam. Verdade qie há que se ter os olhos vestidos com lentes otimismistas, e procurar um ver além do simples ver. Num olhar superficial mudamos de ano e só. 2008 não traz nada diferente de 2007 a não ser essa simples unidade que lhe foi adicionada.
Alguns nasceram para construir, outros são consumidores. Na fábula da formiga e da cigarra transborda o sentimento da falta de talentos da formiga, cantasse essa, não precisaria trabalhar, viveria do cachê de artista. Nada de errado nisso, nada de mal, tudo é parte do equilíbrio necessário para que o mundo funcione em perfeita harmonia.
Eu acuso um certo cansaço na constante e persistente descoberta de corruptos no país. Tal qual um mal sem cura, a cada momento somos surpreendidos com a descoberta de mais um foco desse mal que assola o país. Ninguém, nada parece estar livre dessa verdadeira praga que assola o país.
Eu leio artigos que a nossa imprensa publica e fico pensando: falta de moral ou burrice? Explico melhor: grande parte dos textos, dos conteúdos, ficam na fronteira entre a defesa de interesses escusos, a mentira interesseira deslavada, ou a burrice declarada, a falta de senso, a incapacidade.
Neste ano, em 1º julho, fará 10 anos que Lady Di, como ficou conhecida Diana, que foi princesa de Gales durante o período em que esteve casada com o herdeiro da corôa britânica, príncipe Charles, faleceu no trágico acidente automobilístico em Paris. Sua morte marcou o fim de uma história de verdadeira princesa, que começou com um casamento de contos de fadas e terminou em pesadêlo.
Muitas coisas é preciso ser antes de ser brasileiro. Não se trata, como poderia parecer, de um tratado sobre nacionalização, ou normas cívicas. Para ser brasileiro é preciso, antes de tudo e sobretudo acreditar. Sem acreditar não vai, não dá pé “mermão”. O brasileiro é um grande crédulo, um crente em tudo, em todos. Para ser brasileiro é preciso ter uma péssima memória, daí a homenagem a personagem do filme “Procurando Nemo”, Dory, que esquecia tudo imediatamente. Brasileiro de muita memória é brasileiro angustiada, brasileiro descrente, contrariando a norma número um: a que diz que brasileiro antes de tudo precisa acreditar.